Descrição
Release
Manifesto Cyclophonico (1997)
Elenco
Entrevistas
Sons
Reportagens
Clipping International
Um pequeno filme
Contatos

Orquestra de Câmara de Bicicletas
cyclophonica@yahoo.com

"É um negócio muito bom, não apelativo, de bom gosto. E os caras entendem de música''

Hermeto Pascoal, em entrevista ao JB


 

Pequeno Filme, realizado durante concerto no Pátio dos Correios, evento do CCBB em 2000
 

Descrição

A Cyclophonica é a única orquestra de bicicletas do mundo, tendo sido formada em 1998 como um grupo multidisciplinar atualmente com 9 artistas, incluindo instrumentistas de orquestra, cantores, regentes, artistas plásticos, compositores, arranjadores, professores universitários, educadores musicais e (até) engenheiros.

Temos participado de inúmeros eventos desde então, englobando performances contemporâneas (Bienal de Música de 2001), shows ao ar-livre, cursos de música, oficinas de construção de instrumentos, campanhas publicitárias, Campanha Fome-Zero 2003, participação no Carnaval Carioca e comemorações de aniversários de cidades (e.g., Aniversário de São Paulo, de São João de Meriti e de Volta Redonda).

No campo da mídia, a Cyclophonica tem sido amplamente exposta em programas culturais, desportivos e de variedades, destacando-se o Programa do Jô, Mais Você (Ana Maria Braga), Bom Dia Rio e Bom Dia Brasil (Rede Globo), Almanaque (Globonews), Stadium e Supertudo (TVE), Jornal do SBT, Balaio Brasil (do STV), TeleMundo e Univision (EUA), entre outros. Na imprensa escrita, já foi matéria das agências Reuters e Associated Press.

Em 2002 a Cyclophonica foi tema de conferências e exibições nos Estados Unidos, a convite da Universidade de Maryland e nos meses de março/abril de 2004 foi representada por seu diretor no Japão em concertos nas cidades de Nara e Nagoya.

Leonardo Fuks e percussionistas japoneses tocando em Parque de Nagoya
durante a floração das cerejeiras (Sakurá), abril de 2004.

Manifesto Cyclophonico(1997)

CYCLOPHONICA: Uma modalidade artistico-desportiva, interagindo música, ciclismo, paisagem sonora e urbanismo

Música é a mais difundida, universal e estimulante forma de expressão humana e ciclismo é o mais popular, econômico, ecológico e acessível meio de transporte e de lazer no planeta. Entretanto, estas duas atividades raramente se encontram reunidas.

Em uma orquestra convencional os músicos sentam-se, assim com seus ouvintes. Em uma banda marcial, os executantes marcham monotonamente e seus ouvintes se posicionam às margens de uma trajetória previsível. Entretanto, música é movimento e tanto músicos quanto público tendem a mover-se, apesar das limitações impostas pelas regras de comportamento e pelo próprio espaço físico.

A Cyclophonica é formada por músicos profissionais e ciclistas (amadores), reúne humor, musicalidade e movimento de forma original e expressiva.

O Projeto Cyclophonica consiste em um novo conceito de orquestra e de ambiente de projeção artística no qual os músicos se locomovem de bicicleta tocando instrumentos especialmente desenhados e adaptados. O projeto foi idealizado pelo músico e PhD em acústica musical Leonardo Fuks, como uma forma de integrar a pesquisa sonora, o meio ambiente, a construção de instrumentos, a performance musical e o esporte de maneira divertida e educativa. A performance, é feita de maneira interativa através de ciclovias, ruas, monumentos, jardins, estradas e cidades.

Leo Fuks e Trombonistas sobre bicicletas durante o Encontro
Nacional de Trombones, Volta Redonda 2003

Elenco

A Cyclophonica está formada por:


Sons da Cyclophonica
A seguir, alguns registros sonoros em MP3 produzidos em alguns concertos da Cyclophonica.


Release
CYCLOPHONICA: MÚSICA SOBRE DUAS RODAS
Heliete Vaitsman

Desde a Idade Média tocam-se instrumentos sobre cavalos, camelos, elefantes. Mas só no Brasil existe um grupo que faz música erudita e popular, com instrumentos acústicos, em cima de bicicletas: é a Cyclophonica, que se apresenta ao ar livre e em salas de concertos e entusiasmou Hermeto Pascoal, sobretudo devido à capacidade de improviso dos oito músicos, todos de formação clássica: "É um negócio muito bom, não apelativo, de bom gosto. Se arrumarem uma bicicleta elétrica com controle remoto, podem contar comigo", brinca Hermeto.

Para os músicos da Cyclophonica, contudo, pedalar é preciso, pois é o movimento corporal que inspira movimentos musicais e mantém rodando o caleidoscópio musical idealizado pelo carioca Leonardo Fuks numa fria manhã sueca. Hoje professor da Escola de Música da UFRJ, ele fazia doutorado em Acústica Musical em Estocolmo e pedalava 15 quilômetros, todos os dias, para ir aos ensaios da orquestra em que tocava. Daí a bolar o projeto de uso de movimento para difusão sonora foi um pulo, ou uma pedalada....

Apitos, buzinas de todo tipo (de palheta, percussão, atrito, eletrônicas, elétricas) e sinos fazem parte do arsenal dos músicos, além de flautas, clarineta, trombone, tambores, cítara e até um Didjeridú, instrumento dos aborígenes australianos, um dos mais antigos do mundo. Os instrumentos são usados criteriosamente, de acordo com as partituras. O improviso acontece num contexto organizado, com movimentos ensaiados e coreografia que aproveitam ao máximo a competência de cada instrumentista. É possível tocar em qualquer andamento e andar de bicicleta em qualquer outro, como observa Leonardo Fuks: "Também procuramos interagir com os sons que vão ocorrendo. Se passa uma moto, ou um pásssaro, não reclamamos do som, dialogamos com ele. Já encontramos britadeira, animais nos seguiram".

Cyclophonica em São Paulo, à frente do São Bento

Entrevista no Guia Erudito, com fotos

http://www.guiaerudito.com.br/entrevistas/Cyclophonica/entrevista_cyclo_pg1.htm

http://www.guiaerudito.com.br/entrevistas/Cyclophonica/entrevista_cyclo_pg2.htm
 

Jornal do Brasil

Sábado, 18 de Agosto de 2001

Duas rodas e muitos sons

Músicos adaptam instrumentos nas bicicletas e tornam-se atração nas ciclovias

FERNANDO PAULINO NETO

Hermeto Pascoal gostou tanto que avisou: se sua forma física aos 65 anos
lhe permitisse, gostaria de pedalar em harmonia - essa é a proposta musical
do grupo - com a Cyclophonica. ''Assim mesmo, com y e ph'', frisa Leo Fuks,
mentor da turma de oito músicos ciclistas que, com instrumentos adaptados
nas bicicletas, dá concertos informais pelas ciclovias do Rio. Hermeto,
craque da experimentação sonora, não poupa elogios: ''É um negócio muito
bom, não apelativo, de bom gosto. E os caras entendem de música'', avaliza.
Impõe uma única condição para participar: ''Se arrumarem uma bicicleta
elétrica com controle remoto, podem contar comigo.''

Até os próprios componentes da orquestra sobre rodas se surpreendem com a
música que fazem. Cosme Silveira, 39 anos, fagotista da Orquestra Sinfônica
Nacional, da Universidade Federal Fluminense, ficou mais impressionado ao
ouvir de fora o resultado do trabalho do que propriamente participando
dele. ''Me surpreendi com a passagem do som. Em cada passagem é um som, não
se repete jamais. É multidimensional. Numa volta, uma flauta está próxima
da outra, na outra está longe. É impossível passar duas vezes do mesmo
jeito'', diz. A improvisação é a única regra. Leo Fuks cria na hora o mote:
''É um caleidoscópio musical''.

Até chegar este ano ao estado de caleidoscópio, porém, a idéia de unir
música e ciclismo percorreu um caminho de cinco anos. Tudo começou quando
Fuks fazia um curso de doutorado em Acústica Musical em Estocolmo, capital
da Suécia. Ao mesmo tempo que estudava, tocava em uma orquestra que
ensaiava a 15 quilômetros da capital. O percurso era feito diariamente de
bicicleta. Enquanto pedalava e procurava espantar o frio, Fuks pensava numa
maneira de aproveitar o tempo para ir esquentando o oboé, que toca
profissionalmente. ''Aí comecei a buscar instrumentos que pudessem ser
usados numa bicicleta. Ao contrário do que diz o bom senso, surgiram
centenas que podem ser tocados com uma mão ou com nenhuma.''

Ineditismo - Entre os utilizados pela Cyclophonica estão o didgeridoo
(instrumento de sopro dos aborígenes australianos), apitos ornitofônicos
(que imitam sons de pássaros), uma flauta que só necessita de um dedo para
produzir escalas, buzinas de percussão, de sopro e eletrônicas, lingüetas
nas rodas (contribuição de Hermeto Pascoal), escaleta de sopro, prato
montado no capacete e agogôs, entre outros.

Depois de constatar que era possível tocar e pedalar ao mesmo tempo, Fuks
pesquisou para saber se a idéia era inédita. ''Não adianta a gente pensar
que está inventando a roda se a roda já está inventada'', diz. Descobriu
outras tentativas parecidas. ''No Canadá já houve uma iniciativa nos anos
80 com instrumentos eletrônicos. Na Itália, há policiais e carteiros que
usam buzinas e instrumentos. No século XVII, era normal haver bandas
montadas a cavalo'', diz. ''Nós somos uma versão moderna disso.''

Não é à toa que Hermeto Paschoal deu sua bênção: o raciocínio delirante
anda na garupa da Cychophonica. Para Fuks, a bicicleta é o veículo certo
para a música porque ambas são universais, conhecidas em qualquer lugar do
mundo. Assim, uni-las ''é uma idéia excêntrica, mas, quando se fala, soa
simpático''. Além do mais, ''a bicicleta tem movimentos extremamentes
rítmicos, cíclicos e alternados, como a música''. Com base nisso, o criador
do projeto escreveu o Manifesto Cyclophonico, na mesma linha do movimento
canadense Soundscape (algo como ''Paisagem sonora''), que se dedicou a
estudar musicalmente os sons da natureza. A diferença é que o Manifesto
Cyclophonico debruça-se sobre o urbano.

Sirenes - ''Procuramos desenvolver uma estética crítica dos sons da
cidade'', explica Fuks. ''O que queremos não é mascarar o som das cidades,
mas utilizá-lo'', completa, falando da interação com os barulhos - ou sons,
como prefere - urbanos. ''Podemos tirar partido de uma sirene que toca em
algum lugar, desenvolver uma intuição temporal para tocar junto.'' Ele
imagina uma apoteose: ''O mundo vira uma sala de concertos''. Concepção
muito diferente da sala de concertos tradicional. Lá, como ele diz, ''o
ranger de uma cadeira assume uma proporção enorme, até atrapalhando a
performance de um violinista''.

O discurso rebuscado em torno do som da Cyclophonica não prejudica a
comunicação imediata com o público. O administrador financeiro Juraci
Sampaio, que fazia seu exercício diário matinal na ciclovia da Lagoa
Rodrigo de Freitas acompanhado da mulher, Adelina, gostou do que viu e
ouviu: ''É muito motivador ver jovens na rua fazendo coisas inusitadas num
momento em que o país passa por tantas dificuldades''. Adelina concordou:
''Só no Brasil'', disse. A cena das bicicletas musicais passeando pela
ciclovia, com o som acústico chamando a atenção para a paisagem do lugar e
integrando-se aos sons locais, emocionou Olga Baptista, viúva de militar.
''Nunca tinha visto nada parecido. Muito bom mesmo. Até interrompi minha
caminhada para ver'', disse ela, que todo dia pela manhã passeia na Lagoa.
''É bom quando tem alguma coisa diferente.''

Diferente? Olga ainda não viu nada. Ao avistar os pedalinhos em forma de
cisne da Lagoa, Fuks imagina novos caminhos para a Cyclophonica: ''Os
pedalinhos são nossos irmãos aquáticos. Podemos fazer um concerto anfíbio.
Começar com as bicicletas, passar para os pedalinhos e terminar com o tema
de Titanic no meio da Lagoa''. Às vezes é difícil saber o que é sério e o
que não é, mas o interesse pelo inusitado parece entranhado no projeto.
Para Manuela Marinho, cavaquinista profissional e, por enquanto,
percussionista do grupo (ela ainda estuda um modo de adaptar o cavaco à
bicicleta), o projeto ''tem tudo a ver com o carioca''. Fuks não concorda:
''Se fosse em Nova York, teria tudo a ver com o novaiorquino. Se fosse na
China, com o pequinês.''

Canção de ninar - Essa universalidade procura se traduzir no repertório,
que é baseado em ''improvisos e experimentações sonoras'', como explica
Manuela. Temas de baião, tango e até de uma espécie de marcha dos índios
Cariri se juntam à mundialmente famosa canção de ninar Frère Jacques, que
cai como uma luva (daquelas sem as pontas dos dedos) no repertório. ''Frère
Jacques é uma música circular'', explica Fuks. O padrinho Hermeto Pascoal
vibra - ''é lindo!'' - mas alerta para um risco corrido pela Cyclophonica.
''Quando eles começarem a viajar no som, vão perder o equilíbrio e vai cair
todo mundo'', ri.

Os componentes da Cyclophonica são Leo Fuks, oboísta profissional,
engenheiro mecânico e professor de Acústica Musical da UFRJ; Sérgio
Magalhães, flautista, saxofonista, artista plástico e funcionário da
Fiocruz; Manuela Marinho, cavaquinista, professora de música; Leandro
Soares, trompetista, professor de música da UFRJ; Cosme Silveira, fagotista
da Orquestra Sinfônica Nacional; Denise Padilha, atriz e cantora; Sérgio
Naidin, percussionista da Orquestra do Teatro Municipal do Rio; Sheyla
Zaguri, professora de piano e percepção da Escola de Música da UFRJ.

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Entrevista da UFRJ
Jornal da Escola de Música- "Leopoldo", agosto de 2002
Pg. 4. Entrevista/ Leonardo Fuks

Música sobre rodas
Parece loucura. É, com certeza, inusitado. Mas um grupo de músicos – grande parte professores da Escola de Música da UFRJ– liderados pelo oboísta Leonardo Fuks, tem se apresentado em diversos espaços, fazendo música sobre bicicletas. A originalidade chamou atenção da imprensa do mundo todo. Saíram matérias até na Croácia. Tem atraído o público, inspirado crianças a aprender música. No dia 07 de agosto será a vez da EM assistir ao concerto, que desta vez usará também música eletroacústica, além de instrumentos tocados ao vivo. Nesta entrevista, Leonardo Fuks fala da história e do trabalho que desenvolve com a Orquestra de Câmara, como gosta de chamá-la. Afinal, “bicicleta tem duas câmaras”, diz o professor que, acima de tudo, não perde o bom humor.
Como surgiu a Cyclophonica?
Estive de 1996 a 1999 na Suécia, fazendo doutorado. Estocolmo tem muitas ciclovias, eu tocava oboé numa orquestra em Nacka, a 15km, e ia aos ensaios de bicicleta. Acabei tendo a idéia de combinar as três coisas – a pesquisa em instrumentos, a execução e o ciclismo. Em 1997, comecei a escrever o projeto, a princípio um Manifesto Cyclophonico. Depois constatei que já havia experiências ligando o ciclismo e a música.
A orquestra não foi a primeira?
Existe na Alemanha um grupo eventual – não sei se está ativo – que utiliza música eletroacústica em veículos de rodas (bicicletas e também triciclos, quadriciclos). Há também um grupo canadense chamado Karel Ensenble, que faz música eletroacústica. Mas que usa instrumentos acústicos, com um programa erudito, popular, em cima de bicicleta, com esta concepção, somos os únicos. O hábito de tocar montado vem da Idade Média.
Como assim?
Há tempos já se toca instrumentos em cima de cavalos, camelos, elefantes. Até hoje existe a Banda Montada da Polícia no Brasil.  O Paulo Moura tocava clarineta em cima de cavalo, numa banda de corporação militar. Quanto ao uso do movimento para difusão sonora, os músicos da eletroacústica também já fazem isso. O movimento dá uma nova perspectiva, um  resultado sonoro, uma outra impressão no público.
O som é diferente?
O som é praticamente igual, a não ser talvez pelos solavancos do animal ou do veículo. A percepção é que é diferente, porque a fonte está em movimento, existe uma espacialização muito grande da orquestra, que se torna um conjunto de fontes móveis, com modulações de direção, de velocidade, uma série de alterações perceptivas. Uma mudança que não é só visual, embora visualmente seja interessante. Para o músico também é estimulante se mover e tocar. O instrumentista tem uma tendência para o movimento. A pessoa, quando se movimenta, está utilizando outras estratégias expressivas que, se bem canalizadas, podem melhorar a performance.
O público às vezes tem impressão que o movimenta revela a interpretação...
Além disto, o movimento corporal inspira movimentos musicais, detalhes interpretativos. Há um intercâmbio entre corpo em movimento e música. Se observarmos, o próprio órgão da audição, o coclear, é vizinho do órgão do equilíbrio e do movimento no ouvido interno, que é o vestibular. Esta íntima relação entre movimento, equilíbrio e audição não é gratuita. Podemos ver muitas luzes piscando e perceber ritmos, mas não quer dizer que seremos estimulados ao movimento. Mas basta ter uma pessoa tocando um instrumento de percussão, que as pessoas começam a dançar. Se observarmos, não é o ritmo que gera o movimento. É o ritmo auditivo.
O movimento é livre?
Não, tem ensaio. Não é como nado sincronizado, mas tem uma coreografia. É interessante que é possível tocar em qualquer andamento e andar de bicicleta em qualquer outro. Para a Bienal, Marilena Bibas fez a direção cênica. O grupo é de músicos, mas convidamos coreógrafos, diretores para colaborar.
Quem participa?
Diversos outros professores da EM: Leandro Soares (trompete), Pauxy Nunes (flautista, professor de harmonia e estética), Sheila Zagury (pianista, toca escaleta – piano de sopro –, Sergio Naidim (percussão). Nem todos estão atualmente tocando, mas fazem parte da história,  contribuem. Também integram o grupo: Sérgio Magalhães (flautista e artista plástico, também faz cenários para as apresentações), Manuela Marinho. A gente junta os conhecimentos de diversas pessoas. Tem o Cosme Silveira, que é fagotista da OSB e atleta (fez surfe, asa delta). Denise Padilha é atriz, cantora, flautista e engenheira. E não há a mínima obrigação do músico ser erudito ou popular. Mas quando tocamos Bolero de Ravel, o fazemos dentro de sua estética. Assim como quando tocamos o baião, de Luiz Gonzaga. Fazemos um arranjo ou re-arranjo específico para nossos instrumentos.
Como é o programa?
Sempre relacionado ao espaço e sua história. Também procuramos interagir com os sons que estão ocorrendo, às vezes até de improviso. Se passa uma moto, um pássaro, não podemos reclamar do som, dialogamos com ele. Já encontramos britadeira, animais seguindo nos seguindo...
Usam o canto?
Vamos começar. Fomos convidados a fazer uma apresentação no próximo Congresso Brasileiro de Canto, em novembro. Entre outras peças, vamos fazer o dó-ré-mi da Noviça Rebelde.
Quais são os instrumentos?
Temos uma grande coleção de apitos, buzinas de todo tipo (de palheta, percussão, de sopro, de atrito, eletrônicas, elétricas), sinos. E instrumentos que desenvolvi ou adaptei. Na escaleta, por exemplo, apenas colocamos uma mangueira comprida para ser possível tocá-la na bicicleta, fica presa no guidon. Tem instrumentos de corda (como a cítara), de sopro (flautas, oboé, clarineta, trombone), de percussão (tambores, reco-reco, woodblock, prato) e eletrônicos (como órgão, pequeno teclado, buzina). Tem o Didjeridú – que é um instrumento dos aborígenes australianos, um dos mais antigos do mundo. São feitos em pvc, resina, epox.  Não podemos usar um instrumento convencional, que custa 20 vezes o preço de uma bicicleta e correr o risco de sacrificá-lo numa batida. Fizemos um levantamento e mais de 50 instrumentos podem ser usados. Já temos usado mais de 20. É um dos resultados da minha pesquisa em instrumentos musicais. Usamos os instrumentos criteriosamente, de acordo com as peças, as partituras. Nossos instrumentos permitam também outras aplicações. Como são robustos, deixamos as crianças experimentá-los. Como necessitam de poucos recursos, às vezes apenas de uma mão ou um dedo, já estão sendo experimentados no trabalho de reabilitação de deficientes físicos.
 
 

Reportagem da Associated Press, distribuída e traduzida mundialmente em 2002

Bike Band Pedals to Play Music

By DAVID DISHNEAU, Associated Press Writer

FROSTBURG, Md. (AP) - The music goes 'round and 'round and comes out weird when Leonardo Fuks puts his bicycle band in motion.

Fuks is a professor of music and acoustics at the Federal University in Rio de Janeiro, Brazil. He led the first U.S. performance on Friday of Cyclophonica, a nine-piece group that pedals as it plays.

Their durable instruments are homemade from plastic bottles and PVC pipes, or store-bought and modified to be worn by riders or attached to bikes for one-handed or no-handed playing.

Bird calls, trombones, flutes and tin cans all play parts in compositions both fanciful and classical.

"'Bolero' is usually a hit because it is so cyclic," said Fuks, whose name rhymes with "kooks".

Except for Fuks, the group was composed of Frostburg State University students and faculty members who performed on the campus of Frostburg State after just four rehearsals. Fuks, riding a battered blue Schwinn cruiser, led them through a 20-minute concert.

Circling a landmark clock tower before two dozen spectators, they also performed arrangements of "The (Bike) Ride of the Valkyries" and "Frere Jacques."

Fuks came to Frostburg at the invitation of George Plitnik, a physics professor who has known Fuks since 1993.

The group's sound can be cacophonous and its appearance is absurd; some riders have cymbals stuck to the tops of their mandatory helmets.

But the project has a serious side, rooted in the paucity of musical education in Brazil.

"You have to have some extra money to pay for classes there. The public schools, unfortunately, usually don't provide any musical education and it's even worse for having access to instruments," Fuks said.

Bicycles, on the other hand, are plentiful and relatively cheap.

"We want to make it so that music-making can be as simple as riding a bike. At the same time, riding a bike should be as conscious and artistic, in some way, as making music."

The project also has led to the creation of musical instruments that could be played by people with limited use of their hands, he said.

Fuks, 40, a classically trained oboe player, loves bicycle riding. He conceived Cyclophonica about five years ago while biking around Stockholm, Sweden, between his Ph.D. work at the Royal Institute of Technology and his rehearsals and performances with the Nacka Symphony Orchestra.

He said he experimented with riding while playing an oboe, trumpet, saxophone and whistle and had little trouble, although the simpler instruments were obviously easier.

"I realized it was a really pleasant activity to play on the bike, and it didn't require any special skill. It seems that when we are biking, we have complete musical independence," Fuks said.

Fuks and his group have become fairly well known in Brazil, where they have performed about 20 times since 1999, he said.

The professor returns to teaching duties there next week, but said he hoped to perform in the United States again.
 

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Reportagem da Agência Reuters, distribuída mundialmente em 2001
 

Brazilian orchestra puts music on bicycle wheels

RIO DE JANEIRO, Brazil, July 30 (Reuters) - A group of Brazilian
musicians have discovered a new way to pedal their talent -- they put their
orchestra on wheels and took to the streets.

With tubas made of PVC piping, clarinets of molding clay and mini-pianos
strapped to handle bars, the so-called Cyclophonica on Sunday cruised
through Rio de Janeiro parks and bike paths, "taking music to the public."
"We wanted to take the music out of its elitist ghetto in the chamber
halls and put it in the urban context," said Leonardo Fuks, 38, a music
professor and founder of the still-wobbly orchestra on wheels.
"We wanted to make the idea of starting to play an instrument more
accessible. It's as easy as riding a bicycle," Fuks said.

Picnickers and fellow bicyclists stopped and stared as the six-person
band pedaled past on Sunday, playing a slightly off-tune version of "Asa
Branca," a famous folk song from Brazil's northeast. "Thus Spoke Zarathustra,"
"Frere Jacques" and "The Girl from Ipanema" are
also part of their still-limited repertoire.

While Fuks started to put the band together two years ago, it has only
begun to take shape and become a familiar presence on Rio bike paths in recent
months. All of the members of Cyclophonica are professional musicians and
most of them have played in orchestras.

"We realize we will never be chamber-music quality, but on the other hand
we get to dispose of that kind of musical rigidity and have fun," Fuks said.
Cyclophonica also tries to make the instruments themselves more
accessible. They make their own oboes and flutes in workshops and adapt toys, bird
whistles and tuning instruments for use in the mobile orchestra.
"We are trying to overcome some of the obstacles that keep people from
getting involved in playing music," Fuks said.

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Links on the web:

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http://www.jb.com.br/papel/paginadois/2001/08/17/jorpg220010817001.html

http://www.jb.com.br/papel/cadernob/2001/07/04/jorcab20010704012.html

http://www.jb.com.br/papel/paginadois/2001/08/17/jorpg220010817001.html

http://www.no.com.br/servlets/newstorm.notitia.apresentacao.ServletDeNoticia?codigoDaNoticia=24279&dataDoJornal=994338027000

http://www.no.com.br/servlets/newstorm.notitia.apresentacao.ServletDeNoticia?codigoDaNoticia=24278&dataDoJornal=994284711000
No programa do Jô Soares, Rede Globo

http://redeglobo.globo.com/programadojo/aplic/pesquisa.php3?codigo=1458

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International Clipping

In Kroatian

"Mobilni" orkestar

Skupina brazilskih glazbenika otkrila je novi nacina davanja zamaha svome talentu - postavili su svoj orkestar na kotace i zaputili se ulicama Rio de Janeira.

RIO DE JANEIRO - S tubama nacinjenim od plasticnih cijevi, klarinetima od gline i minijaturnim glasovirima vezanim za rucke bicikala, samozvani sastav Cyclophonica kruži ulicama i biciklistickim stazama toga grada "donoseci glazbu javnosti".

"Želimo izvuci glazbu iz elitistickog geta u glazbenim dvoranama i staviti je u urbani kontekst", rekao je Leonardo Fuks (38), profesor glazbe i osnivac tog orkestra na kotacima.

In Portuguese

http://www.canalkids.com.br/central/arquivo/arte_cyclophonica.htm

ARTE

Orquestra de...bicicleta?

Quando você pensa em uma orquestra, que imagem vem à sua cabeça?

- A de um monte de gente bem séria vestida de pingüim, tocando para uma sala cheia de gente também bem séria e também vestida de pingüim

Pois pense de novo: a Cyclophonica, uma orquestra formada por professores e alunos de faculdades de música do Rio de Janeiro , é totalmente diferente dessa imagem aí de cima. Por que? Simplesmente porque os músicos tocam...andando de bicicleta! Esses malucos musicais se apresentam com sol na cabeça e vento no rosto, em parques e praças do Rio para quem estiver a fim de parar (ou andar) e ouvir.

- Mas...como ele conseguem tocar e andar de bicleta ao mesmo tempo? O violoncelista deve ter um trabalhão...

Bom, é claro que uma orquestra especial como essa tem que ter instrumentos especiais: além de tambores, apitos e cornetas, o pessoal da Cyclophonica também toca coisas esquisitas como dijeridú, um instrumento australiano, e flauta selje, que veio da Escandinávia.

E eles também tem um slogan super-engraçado: " A Cyclophonica deve ir onde o povo está - localizá-lo, seguí-lo e perseguí-lo, se necessário for" .

http://espanol.yahoo.com/noticias/010731/sociedad/reuters/espmusbrabicsoltxt6596820.html
 
 

In Spanish

martes, 31 de julio 9:27 AM

Orquesta brasileña pone música sobre ruedas... de bicicleta

http://espanol.yahoo.com/noticias/010731/fotos/reuters/espmusbrabicsolpix6598560.html

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Un grupo de músicos brasileños descubrió una nueva forma de mostrar su talento: pone su orquesta sobre ruedas y la lleva a las calles.

Con tubas hechas de cañerías, clarinetes de arcilla y minipianos atados a los manubrios, la llamada Cyclophonica recorrió el fin de semana los parques y senderos de bicicletas de Río de Janeiro para llevar "la música al público".

"Queríamos sacar la música de las salas de cámara elitistas y llevarla al contexto urbano", dijo Leonardo Fuks, profesor de música y fundador de la orquesta sobre ruedas.

"Queríamos crear la idea de comenzar a ejecutar un instrumento más accesible. Es tan fácil como viajar en bicicleta", agregó Fuks, de 38 años.

Picnickers y sus compañeros músicos y ciclistas se detuvieron en un lugar e interpretaron el domingo una versión con tonos ligeros de "Asa Branca" (Ala blanca), una famosa canción folclórica del noreste de Brasil.

"Thus Spoke Zarathustra", "Frere Jacques" y la mundialmente famosa "Chica de Ipanema" forman parte de su todavía limitado repertorio.

Aunque Fuks comenzó a crear la banda hace dos años, apenas ha comenzado a tomar forma y convertirse en algo familiar en los senderos destinados a las bicicletas en Río de Janeiro en los últimos meses.

Todos los miembros de Cyclophonica son músicos profesionales y la mayoría de ellos ha tocado en orquestas.

"Comprendemos que nunca tendrá la calidad de la música de cámara, pero, por otra parte, tenemos que disponer de ese tipo de rigidez musical y divertirnos", dijo Fuks.

Cyclophonica también trata de hacer los mismos instrumentos más accesibles. Ellos fabrican sus propios oboes y flautas en talleres y adaptan juguetes y otro tipo de objetos para usarlos en la orquesta móvil.

"Tratamos de superar algunos de los obstáculos que impiden a la gente involucrarse en la ejecución de la música", apuntó Fuks.
 
 

In Swedish

http://www.dagen.com/portal/text.asp?TextID=6121

Publiceringsdatum: 2001-08-02

Blåsmusiker ute och cyklar

musik. En sextett professionella musiker i Rio de Janeiro i Brasilien ville föra ut musiken från orkestersalarna till stadsmiljön. Därför tillverkade de blåsinstrument i plast och lera, bärbart piano och satte av på cykel.

- Vi ville visa att spela är lika lätt som att cykla, sa musikprofessorn Leonardo Fuks, 38 år.

Projektet inleddes för två år sedan och nu är Cyclophonica ett välkänt inslag om söndagarna på stadens cykelvägar och där de brassar på för fullt med folkmusik, klassiskt och barnvisor. (TT)

http://jornal.publico.pt/2001/08/06/Sociedade/S99.html

In Portuguese from Portugal

Brasileiros tocam a pedalar

Um grupo de músicos brasileiros descobriu uma nova forma de divulgar o seu talento: pô-lo a "pedalar" nas ruas. Os músicos do grupo "Cyclophonica" vão tocando, com os seus clarinetes e mini-pianos em parques e caminhos para velocípedes do Rio de Janeiro. "Queremos tirar a música do seu gueto elitista para o seu contexto urbano", afirmou Leonardo Fluks, músico e um dos fundadores da banda. O projecto também tem objectivos pedagógicos. "Queremos dar a ideia de que tocar um instrumento é acessível. É tão fácil como andar de bicicleta."

In Portuguese from Brasil

http://www.universidadefm.ufma.br/vernoticia.php?idNoticia=285

É tão fácil quanto andar de bicicleta

Um grupo de músicos do Rio de Janeiro descobriu uma maneira inovadora de mostrar seu talento. Seus integrantes colocaram sua orquestra sobre rodas e saíram às ruas para tocar. Com tubas feitas de tubos de PVC, clarinetes de argila e minipianos amarrados aos guidões das bicicletas, a Ciclofônica passeou pelos parques e ciclovias cariocas no último domingo, levando a música até o povo.

"Queremos tirar a música do gueto elitista das salas de concerto e inseri-la no contexto urbano", disse o professor de música Leonardo Fuks, 38 anos, fundador da orquestra sobre rodas - que ainda estão um pouco bambas. "Queremos que a idéia de começar a tocar um instrumento se torne mais acessível. É tão fácil quanto andar de bicicleta", disse Fuks.

Outros ciclistas e pessoas que passeavam nos parques pararam para olhar a banda de seis pessoas pedalando e tocando "Asa Branca". O repertório da Ciclofônica também inclui "Assim falou Zaratustra", "Frère Jacques" e "Garota de Ipanema". Fuks começou a montar a banda há dois anos, mas só nos últimos meses é que ela está assumindo forma e tornando-se presença constante nas ciclovias cariocas. Todos seus integrantes são músicos profissionais, e a maioria já tocou em orquestras.

"Temos consciência de que jamais teremos a qualidade de um conjunto de câmara, mas, por outro lado, a gente tem a oportunidade de abrir mão daquela formalidade toda e se divertir", disse Fuks. A Ciclofônica também procura tornar os próprios instrumentos mais acessíveis. Seus integrantes fabricam seus próprios oboés e flautas em oficinas e adaptam brinquedos, apitos e diapasões para uso na orquestra móvel. "Procuramos superar alguns dos obstáculos que impedem as pessoas de fazer música", explicou Fuks. (Folha de São Paulo)

http://library.northernlight.com/AA20010803010030245.html?cb=0&sc=0#doc

Title: Brazil puts Brahms on a bike

Summary: THIS IS the first orchestra on bicycles. Members of the Rio de Janeiro's Cyclophonica, who use tubas made from drain pipes and mini- pianos strapped to handlebars, are touring the city's cycle paths. The band leader, Leonardo Fuks, 38, says he wants to make classical music less elitist.

Source: The Independent - London

Date: 07/31/2001 Price: .95 Document Size: Very Short (48 words) Document ID: AA20010803010030245 Citation Information: FINAL; Issue: PSA-2902; News Section

Copyright Holder: 2001, Independent Newspapers (UK) Limited Document Type: Article

http://www.redludwig.com/news/archive/080101.html

Sunday in a Rio park with Richard Strauss... and the "Girl From Ipanema"

CHAMBER MUSIC ON WHEELS IN RIO

Sunday in a Rio park with Richard Strauss... and the "Girl From Ipanema"

In Brazil, one no longer has to dress up and go to a concert hall to hear an orchestra performance. Now you can sit in one of the parks in Rio and hear the bicycling Cyclophonica as they pedal about.

"We wanted to take the music out of its elitist ghetto in the chamber halls and put it in the urban context," Leonardo Fuks, a music professor and founder of the group, told Reuters.

Their tubas are made of PVC pipes and mini-keyboards are strapped to their handlebars as they tool around. Their repertoire includes Richard Strauss' "Thus Spoke Zarathustra" and the Brazilian classic, "Girl from Ipanema."

"We realize we will never be chamber-music quality," Fuks said, "but on the other hand we get to dispose of that kind of musical rigidity and have fun."